foto: Leila Castro (http://leilacastro.blogspot.com/)Vou correr um pouco e nadar nesse mar de Ieracemanjá. Há mar. Densos como olhos que encantam e prometem caminhos vários. Se não prometem, remetem a um tempo de mistério, é mister para a alma do poeta. Atleta que vaga e sabe do peso insólito das palavras que vem da carne, do cerne do sentimento. De outra forma não seria.
Retorno ao porto que me cabe, mas o poeta Eu não cabe nele, mas outro, Deus queira. Um que sugira, desde a aurora, uma noite entre vinhos, mitos e deusafilha escolhida. O desafio é amar mais do que pude, fundo nas costas de um Caribe magnético entre o vórtice do fosso e a gravidade das gaivotas.
Olha só, vejo uma ilha, frutos servidos no porvir. Banquete dos ventos e pescadores. Arrisco um risco, traçado de areia e sinto que não há mapa nem recompensas. Apenas o instante eterno de chama, imortal disse outro poeta. Um revés de sol que é lua cheia. Olhos teus, o que miram tão fundo? Imagino-os, os olhos, nus, tantos mundos.
O poeta é líquido, pouco sabe dos estáticos, mas louva a tua estética.
(aluisiomartinns)

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